No conservador mundo do futebol, onde a Fifa dita as regras, dois mexicanos pretendem fazer uma mudança radical. Eles criaram a Citrus, uma bola com potencial para revolucionar tecnologicamente as partidas. "A Fifa não aceita muita tecnologia, mas isso poderia mudar em algum momento e seria nossa oportunidade", explica Alberto Villarreal, desenhista industrial de 33 anos.
A Citrus, que em breve passará por testes de laboratório antes de ir à venda, é coberta por um elastômero (polímero com comportamento elástico) e contará com um microprocessador e uma câmera.
Tais detalhes a tornam capaz de detectar se um jogador usou a mão de forma irregular e de medir o percurso da bola, o tempo de posse de cada equipe ou simplesmente se cruzou a linha de gol ou não. "Quando usada, os árbitros poderão tomar decisões mais justas pela informação que receberão", aponta Villarreal.
Nas Copas do Mundo, as bolas evoluíram pouco desde que a empresa Adidas apresentou o modelo de couro batizado como Telstar, usado no Mundial do México (1970). A bola tinha 32 gomos, 20 brancos e 12 pretos. Na Argentina (1978) surgiu a proposta chamada Tango, com desenhos que, ao rodarem, davam a impressão de que a bola tinha 12 círculos idênticos.
Já em 2002, na Coreia e no Japão, se rompeu a tradição com a Fevernova, com uma camada de espuma sintética e um desenho em cores, parecido à Teamgesit, usada na Alemanha (2006) e com, pelo menos na teoria, poucas mudanças em relação à Jalubani.
UMA REVOLUÇÃO
A bola Citrus se ilumina ao cruzar a linha de gol graças a um sensor de rádio frequência em seu interior, uma tecnologia similar à usada em lojas de roupas e shoppings para evitar roubos.
A proposta dos mexicanos pretende ser uma revolução. É uma espécie de bola com olhos que, por ter uma câmera em seu interior, poderá reproduzir imagens de um ponto de vista diferente.
A ideia da bola foi de Michel Rojkind, arquiteto que chegou a trabalhar como baterista. Junto a Villarreal e três colaboradores discutiu como levar o projeto à realidade e, meses depois, conseguiram um protótipo rígido, pronto para passar por um teste de laboratório.
Rojkind e Villarreal já tiveram contatos com algumas das grandes marcas esportivas do mundo, mas não assinaram nenhum contrato. Se firmarem com a Adidas, patrocinadora da Copa, a Citrus pode aparecer no Brasil em 2014, embora os criadores da bola considerem isso difícil.
"A tecnologia entrou totalmente em esportes como o futebol americano, o tênis e o atletismo, mas a Fifa não quer isso no futebol. Pouco a pouco o organismo terá mais pressão, mas não sabemos se aceitarão propostas tão radicais como a nossa", reconhece Alberto Villarreal.
Por ora, os inventores mexicanos já tiveram contatos com empresas do Kuwait e dos Emirados Árabes. "Só nos aproximaremos da Fifa se assinarmos um contrato com uma marca grande", explicou.
A Citrus terá uma versão profissional com custo de US$ 300, mas os desenhistas da bola criarão uma especial para peladas custando apenas US$ 50, porém sem os componentes eletrônicos.
A versão mais barata será mais simples, mas com a vantagem de ter mais vida útil que qualquer uma das atuais, além de ser mais resistente às variações de temperatura e à água.
Do jeito que as coisas estão hoje, as chances de a inovação mexicana aparecer no futebol profissional em breve são pequenas.
Mas o primeiro passo é o mais importante nas corridas longas, e a ideia não é impossível, ainda que precise do sinal verde da conservadora Fifa. A empresa mexicana Agent, fundada por Michel Rojkind e Alberto Villarreal, participou do desenho de outros artigos esportivos, como óculos de esqui alpino capazes de medir velocidade do vento, direção, altura e tempo.
Também têm propostas muito inovadoras em outros campos, como para telefones celulares, malas de viagem e até um projeto de iluminação para pontos de ônibus.
Fonte: epocanegocios.com.br - MKT BakelitSul
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